Em meio a tantos obstáculos sofridos pelas mulheres negras, está a sua saúde mental e dentro dessa perspectiva em muitas delas está a hipersexualização do seu corpo. Não é de hoje que ouvimos que mulheres negras são mais “quentes” na cama e esse estigma vem sendo carregado por longos árduos anos. Muitas vezes o corpo da mulher negra chega primeiro do que ela, na visão do outro.

Primeiro nota-se suas curvas, seu tom de pele, seus cabelos e a partir de então cria-se um estereótipo do que seria aquela mulher, quando na verdade toda a sua verdadeira essência é apagada. A mulher negra está na base da pirâmide de privilégios, ela é a última a ter benefícios, se é que assim podemos dizer, mas quando se trata da exposição do seu corpo, ela está no topo da pirâmide, mas com ressalvas! Porque ela não pode ser apresentada a família e amigos.

E como fica a saúde mental dessa mulher, neste contexto? Reconhecer que isso acontece é um passo, mas nem sempre todas as mulheres negras conseguem enxergar este tipo de situação de forma consciente, a sociedade não permite isso e em alguns casos, fortalece a ideia de que é bom ser reconhecida como o corpo igual ao da “globeleza”, por exemplo. A demanda clínica pode surgir por outros assuntos que estão abarcados dentro deste tema. É imprescindível que haja compreensão e acolhimento quando há procura por ajuda clínica. Por isso, é muito importante fazê-la enxergar estes estereótipos e fortalecer a ideia de que ela é mais do que um corpo, resgatar sua real essência, ressignificando o que é de direito seu, se sentir como quiser e ser respeitada por isso.

 

✍🏾. #AsMariasDaCasa
Contribuição de Beatriz Andrade
Psicóloga clínica do corpo clínico da Casa de Marias