No último mês, Carolina Maria de Jesus recebeu uma homenagem póstuma e ganhou o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A escritora e ‘’poeta de lixo’’, como se autodenominava, reconstituiu a sua vivência em poemas, diários e reflexões com maestria e subversão em sua forma única de escrever. Carolina não tinha medo de expor as condições de uma autora negra, pobre e marginalizada na sociedade excludente da época. No poema ‘’Os feijões’’, ela expressou uma crítica ainda bastante atual sobre o ingresso da população negra nas universidades de maneira bem sagaz:

‘’Os feijões’’

‘’Os Feijões Será que entre os feijões
Existem o preconceito
Será que o feijão branco,
Não gosta do feijão prêto?
Será que o feijão preto é revoltado?
Com seu predominador
Preçebe que é subjugado
O feijão branco será um ditador.
Será que existem rivalidades?
Cada um no seu lugar
O feijão branco é da alta sociedade.
Na sua casa o feijão preto não pode entrar
Será que existem desigualdades
Que deixa o feijão preto lamentar
Nas grandes universidades
O feijão preto não pode ingressar
Será que existem as seleções
Prêto pra cá e branco pra lá
E nas grandes reuniões
O feijão prêto é vedado a entrar?
Crêio que no núcleo dos feijões
Não existem as segregações.’’

Carolina Maria de Jesus é inspiração! Carolina Maria de Jesus, presente!

✍🏾 #AsMariasDaCasa
Ane Gabriele, psicóloga do corpo clínico da Casa de Marias