Sabemos que a academia para nós mulheres negras é um espaço violento, encaramos logo de cara uma falta de representatividade tanto entre nós quanto em professores, somos silenciadas quando apontamos as nossas questões, e não nos vemos nas teorias e muito menos nas vivências que ali são postas. Lidar com o racismo socialmente pensado para distorcer a percepção da nossa própria potência é algo desafiador, pois aos poucos, vamos deixando de lado o desejo de lutar pelo que acreditamos

O meu processo com a academia teve altos e baixos, e no ano anterior eu decidi que gostaria de retornar, mas dessa vez de uma forma possível e mais afetuosa comigo mesma. Me inscrevi no processo seletivo de mestrado em Saúde da População Negra e Indígena, um programa de pós-graduação ofertado pela UFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Não vou mentir, foi uma parada muito louca lidar com a ansiedade e com todos os nuances que envolviam essa decisão, mas eu fui e persisti. Minhas ancestrais sempre me disseram que quando se tem um propósito você deve seguir até o fim, pois o que é seu chega a você independente de qualquer coisa. Segui.

Muitos medos apareceram, mas eu, sortuda do jeito que sou, tive uma rede de apoio enorme comigo. Mulheres potentes que sempre me incentivaram dizendo o quanto o meu sonho era possível, não me deixando cair, porque em MUITOS momentos eu quis desistir. Foram tempos difíceis, onde o meu maior desafio foi equilibrar a desesperança frente a um desgoverno, uma política genocida e uma pandemia mundial, com a chama viva dos meus objetivos.

Por fim, recebi a confirmação, passei no mestrado que eu tanto queria e o meu sonho se tornou realidade.

Que esse relato nos sirva de respiro em meio a tanto caos, que consigamos vencer esse momento de desesperança, para a busca da nossa melhor versão dentro das nossas possibilidades. Tempos difíceis pedem sonhos corajosos e com muita esperança, para que o futuro seja acolhedor e frutífero para nós Ah, os sonhos… Quais são os seus de agora? Você se permite sonhar no meio do caos?”

 

✍🏾. #AsMariasDaCasa
Contribuição de Beatriz Moreira
Psicóloga do corpo clínico da Casa de Maria